22 de julho de 2014

A Minha Pequena Horta


Há um quintal, um caramanchão e a minha pequena horta, 
a frescura da água que goteja para o pote de barro escuro.
 Muitos vasos e flores:
Cóleos, manjericos, cravos túnicos e zínias.


Salva e coentros e hortelã e erva cidreira
que libertam aromas preciosos à passagem.


 Muito sol e o canto de cigarras, 
 as lagartixas e osgas nas pedras e entre as folhas das trepadeiras.

Há uma laranjeira velha que é um abrigo de brincar e
uma árvore de abrunhos, junto à pocilga onde nunca vimos porcos.
Uma palmeira muito alta junto ao tanque da roupa
Falhas perfumadas de sabão azul.
Terra seca e fresca, aguada a regador para baixar o pó.
O monte de sacas de trigo e cevada e as alfaias
Gatos amarelos e gatas mouriscas, sonolentos, estendidos. 
Arreios, empreitas e escadas
Coxarros desusados e baldes de zinco pendurados na parede
Uma balança decimal com uma caixa de pesos hexagonais.

A porta de madeira aberta pelo postigo de portada sem vidro,
A parede de taipa e o teto de canas.
Carradas de brotoeja.
As tapadoiras de pano às florinhas.
 Os cachos de passas de uvas brancas no teto, 
potes de lata pintados de vermelho com azeite
poiais com os tabuleiros de madeira e os alguidares de barro,
panelas de barro e ferro.
Um caniço sobre a mesa de gavetas da cozinha:
Queijo e linguiças
Figos e uvas e Tomate e pão.
O poial das quartas, das bilhas e das enfusas.

 A casa da minha memória é caiada e silenciosa.

Mom

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