22 de setembro de 2013

Canja de Garoupa com Ameijoas na Ilha do Farol

Mary & Sophia,

As estórias da praia e as loucuras que nos fazem rir para sempre saltam-me invariavelmente da memória para o tacho enquanto cozinho um prato do mar.

A noite era absolutamente negra e a proximidade do mar não melhorava nada. As únicas luminárias eram as estrelas do céu, nada mais.
As casas não tinham energia elétrica nem havia iluminação pública, apenas o café e a esplanada que era enorme tinham energia e iluminação elétrica; algum gerador, digo eu.

O dia foi excelente. 

Construímos um papagaio. Tudo manual. Duas canas grandes, direitas e abertas ao meio longitudinalmente, uma enorme saca de plástico meticulosamente retalhado com a figura geométrica entre o losango e a soma de 2 triângulos (um equilátero e outro isósceles) e fio encerado.
Tudo feito com os olhos, porque o tio Zé não queria que aquilo se estragasse ou lhe corresse mal.

Ficou maravilhoso. 
Depois prendeu-se o papagaio à linha de uma cana de pesca e soltou-se o carreto que, como sabem os pescadores, é como quem diz deu-se-lhe linha. Não há palavras. Um papagaio assim tão grande, tão voador e preso a uma cana de pesca...

Foi-se o sol, acabou-se a festa. Nem pensar, quem é queria ir dormir depois de um dia daqueles? Se já não se vê, pomos-lhe uma luz!

Abençoado veredicto. Aqui é que começa a estória.
Tudo manual. Meia garrafa plástica (do óleo de fritar) e uma vela. A meia-garrafa presa no "T" que as canas faziam entre si e dentro dela a vela acesa.
Tudo feito com os olhos porque o tio Zé ...

Nunca na vida ninguém tinha visto nada semelhante.

Subiu, subiu e subiu e a luz da vela foi deixando de se ver.
Começou a instalar-se a dúvida... Apagou-se, apagou-se, apagou-se? Eis senão quando, a luz começou a crescer e deixou de ser uma dúvida para ser um sol. Qual sol, nem sol... um OVNI (bem isto não, porque naquela altura os OVNI's não faziam parte do vocabulário corrente), uma coisa sem nome, visível por todos quantos na ilha estavam fora de casa ao fresco. 

Ouviu-se um haaaa geral que durou, nas bocas de quem viu o que nunca tinha visto e jamais conseguiu explicar apesar das tentativas, até ao dia seguinte.

O papagaio de papel que o tio Zé fez resistiu quase 50 anos e resistirá outros tantos, apesar de ter ardido no dia em que veio ao mundo.

Viva o tio Zé. 

Ingredientes:

  • 0,5 kg de garoupa
  • 9 ameijoas
  • 1 chávena de arroz (se possível integral)
  • 1 cebola
  • 1 raminho de salsa e outro de coentros
  • 1L de água 
  • sal marinho q.b.

Preparação:
  1. Colocar a água com o sal ao lume e pôr o peixe a cozer durante 5 minutos. 
  2. Usar esta água da cozedura para cozer o arroz, passando-a por um passador previamente. 
  3. Pôr o arroz a cozer naquela água com a cebola inteira e o raminho de salsa até ficar macio (integral aprox. 30 minutos).
  4. Deitar as ameijoas bem lavadas para a canja e depois destas abrirem, juntar o peixe sem pele nem espinha.
  5. Aromatizar com as folhinhas de coentros.
Come again,

Mom


2 comentários:

  1. Essa canja é divinal e eu que estou engripada e precisava de um pouquinho...
    Kiss

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    1. Bem, nesse caso o meu conselho é outro. Segue este link que tem lá uma mezinha fabulosa para dar cabo das constipações e das gripes e guarda a canjinha de garoupa para quando estiveres boa e a puderes saborear bem: http://comopaoparalaranjas.blogspot.pt/2012/11/mezinha-da-avo-arnalda-para-tosses-e.html
      As melhoras.
      Bjinhos,
      Sophia.

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