30 de junho de 2013

Caldo Verde e as sopas da meia-noite



 Olá Mary & Mom,

quando se fala em mês de Junho em Portugal fala-se em santos populares, marchas, petiscos e bailaricos. Festas nocturnas ao ar livre, quando é bom sair à rua à noite, porque a noite é fresca e alivia do calor do dia, mas suficientemente quente para saber bem pôr a cadeira à porta de casa e ver o movimento.
 Bem, isso já era do tempo em que eu era pequena. Hoje em dia, pôr a cadeira à porta, à noite, já só nas aldeias.
 Voltando aos santos populares, há petiscos que não podem faltar nas festas dos santos: eles são a sardinha, a bifana e, claro está, o caldo verde.
 Nos países do sul da Europa a noite vive-se até mais tarde, em especial no Verão, porque os dias grandes assim o permitem. Em consequência disso, pelo menos aqui em Portugal, existe o hábito das refeições pela noite dentro, muito especialmente da "sopa da meia-noite".
 Nos casamentos que se fazem à tarde ou à noite usa-se servir aos convidados mais resistentes uma malga de sopa à meia-noite.
 Nas zonas com mais vida nocturna, como o Bairro Alto - e vi o mesmo no Barlavento algarvio - há filas enormes de noctívagos e boémios à porta das padarias, à espera das primeiras fornadas de papossecos, de pão com chouriço, pão com torresmos, arrufadas e outros bolos de padaria.
 A açorda de alho e o caldo verde são as sopas mais tradicionais e mais apreciadas que servem a "desoras".
 Hoje deixo-vos aqui a receita da nossa Mom, que é a que faço na minha casa e é a minha preferida.


Ingredientes:

  • 12 batatas médias/grandes
  • 150g de couve galega cortada em juliana muito fina
  • 4 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • azeite (cerca de 100 a 150 mL)
  • sal (1 colher de sopa, ou menos)
  • 4 ou 5 rodelas de linguiça ou chouriço (facultativo)
  • um molho pequeno de coentros picados (facultativo)

Modo de Fazer:

1) Lavam-se e descascam-se as batatas e pelam-se os dentes de alho. Vão a cozer na panela de pressão com água suficiente para os cobrir e uma folha de louro. Para cozer na panela de pressão uso a seguinte técnica ensinada por uma amiga deste blogue: coloca-se a panela em lume forte até começar a apitar; desliga-se o lume e deixa-se estar a panela tapada até perder toda a pressão (já não liberta vapor quando se retira o pipo); abre-se a panela e nesta altura as batatas já estão cozidas.


 2) Retira-se a folha de louro e com a varinha mágica reduz-se tudo a puré. Tempera-se com sal e azeite e torna ao lume, desta vez a lume médio/brando.


 3) Lava-se bem a couve galega cortada em juliana fina e adiciona-se ao creme de batata e alho, onde vai cozer. Nesta altura, se o desejarem, podem também adicionar umas rodelas de linguiça. No Alentejo há quem tenha a saborosa "mania", muito alentejana, de adicionar uns coentros picados nesta altura. Se gostam do sabor dos coentros experimentem que a combinação é muito interessante.


 4) Mexe-se de vez em quando para evitar que cole ao fundo. Se acharem o caldo muito espesso podem adicionar-lhe um pouco de água quente, mas nesse caso devem provar a vossa sopa e rectificar os temperos. Sabem que a sopa está pronta quando a vossa couve está verde bem escuro. Dêem-lhe tempo para evitar que a couve fique mal cozida.

 Bom apetite,
Sophia.

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